sábado, 24 de outubro de 2009

Um poeta nao precisa escrever bem
Ou amar uma mulher como ninguem
Um poeta nao precisa adotar a norma vigente
Ou estudar durante anos as sutilidaes de um haikai
Um poeta, aquele verdadeiro, so precisa saber ler um poema bem.

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Ser poeta eh algo estranho, eh ser falsario de um desconhecido
Ser poeta eh plagiar e disfarcar tao completamente ate se achar genuino
Eu mesmo, nao sou poeta feito. Sou fracao da divisao.
Como discipulo de um mestre que morreu ha anos, imito sua arte descaradamente
Sua simples transcricao eh minha mais profunda conviccao
Transformo seus A's em U's e seus C's em G's
Como codigo ribonucleotidico, apenas fosforilo suas ideias
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Ser poeta eh ser sombra e servo dos milhoes que passaram e disseram tudo que dizemos hoje, mas que passaram em vao.
Ser poeta eh uma masturbacao.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Enquanto uns se desdobram pra fora
E descrevem a cor de tudo pelo que passa no mundo.
Eu me dobro pra dentro.

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Nao cabe a mim metaforas do mundo.
Cores de cortinas ou cadeiras Panton.
Pouco me importa o couro branco do ottomano ou
A cor e a forca da aurora.
Cabe a mim apenas ser sujo dentro de mim.
E na lama, na sarjeta, me saber puro
Somente por ser copia propria.

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Sou um escritor old-school,vintage e retro
Importo-me comigo,meu sentimento, minha razao
Romantico e classicista e hipocrita tambem
Eu nao sou daqueles em busca de holofotes de metro
Odeio a nouvelle vague, o poema novo, e a vanguarda
Nao entendo o concretismo e tenho frowns diante do modernismo
Sou apenas escritor para usar meu teclado como arma.
E desencanar a minha dor quando a inseguranca me aleija.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Aquarela

A aquarela de Marcia Guimaraes
Nao eh a aquarela de Marcia Guimaraes
E aquele barco e aquele rio
Aquela arvore triste e distorcida
A cidade atras da vista das cores
As baratas e os automoveis
E os homens e a mulher
Nao sao materiais na aquarela de Marcia Guimaraes
A aquarela de Marcia Guimaraes, que nao pertence a ela
Nem tao pouco ao seu ilustre Solera
Eh minha.
Tao minha por querer.
Eh por ser. Existe mais razao ao pertencer?
Ela que foi concoctada em tons pasteis, no calor da coroa
Tem a cor de meu penar quando choro pelos meus amores.

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As vezes ao ver a aquarela de Marcia Guimaraes
Com suas flores e genitalias
E suas aves aprisionadas
Sinto calor
Tem tanta dor, no deserto
Que me sinto apaziguado em nao sentir nada
O homem no sertao - morre
No deserto do Sahara - morre
La no Afeganistao - morre
Ate no apartamento com ar condicionado - morre
So assim para termos condicao
A condicao humana nao existe
Apenas combustao implodida
Ou na condicao de excremento,
Combostao.

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Nada me parece real
Nem a gravura no muro
Ou o grito poetizado de um surdo
Nem a mao do etiopiano suplicante
A nao ser que a televisao caia da estante.

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No dentista
(Que eh meu irmao)
Nao havia Muzak
Tinha muitas revistas
Ao abrir a National Geographics
Vi que morriam no Sudao
Fechei. Peguei a Marie Claire.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Maniaco Depressivo

Eu me induzo maniaco depressivo para extrair mel da colica
Essa mania de extase invade-me
é o primeiro estagio
Sou alto, nobre, lucido
Tudo esta ao meu alcance
O mundo me pertence
As palavras fluem num maelstrom imaginativo
Adjetivo o substantivo. Adverbio o verbo.
Guimaraesroseo neologismos
Cada gota doce que escorre das palavras
Pinga de minha mente,psicologicamente

Depois sou o rumo que segue caminho.
Doi. Meu deus, como doi
Tudo que fora deixa de ser
O mel acabado, ferradas de zangoes
O vortex doloroso de saudade

Dobro-me no meio e aguento
Como homem, devo aguentar
Todo poeta nao perdurou?
Perdura sim a colica
O punho que contrai
A dor sobressai
Sofro e penso que vou morrer
Depois choro até nao poder mais...

Passado algum tempo, passa
Os olhos dela me trouxeram de volta a mim
Nao sei ao certo de quem sao os olhos
Talvez da mae, de Hellen, ou dele - de Deus
Ou entao da puta que o pariu
De toda forma sao olhos bons e serenos
Que extraem do meu temperamento - o excremento
Tudo é calma, tudo é Karma
Adormeco com nada na mente, silenciosamente

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Desolacão Objetiva

Eu sou toda minha obra
Minha obra não tem parcelas
Eu sou tudo que fiz e farei
E tambem a ausencia do que não fiz
Não fazer é delimitar um caminho

Sartre só é Sartre por ser ele todo
Sartre não é a Nausea que o intelectual ao meu lado teima em recitar
Ele é tudo que deixou,
Seus livros e sua semente.
Sua dialetica e suas ideias.

Sartre, Kierkgaard e Heidegger não são o existencialismo
O existencialismo é que sao eles
E hoje a ideia perpetuada continua eles, e torna-se eles
Ou então, a negacão deles.

Nao se pode acreditar em um Rousseau em vida
Se este não foi sua filosofia
Rousseau nega Rousseau
Rousseau é nulo

O intelectual em levantar seu cafe - faz
E ao pousar sua chicara - desfaz
O ato de beber e expelir
é como se não tivessemos bebido

O nada como dominio, so é tudo
Quando se quebra as tradicões e
O principio do vicio da causalidade estabelecida

Por isso que sou a soma de todos meu atos
Ou sua substracão - digamos equacão
A luta interminavel entre a anulacão do que acho que fiz diferentemente
E a verdadeira soma do saldo positivo

Eu SOU meus poemas ruins
E meus poemas bons, mesmo que os esconda
Nao existe divisão, no absoluto tudo (alias divisão existe - como norma matematica)
Nem uma fissura no tempo, nem intermitencia do vento

Como Rousseau, a subjetividade esta morta.

Sou desolacão e sofrimento neste momento.
Ai, nao quero morrer sem nada
Que angustia de tudo perder
Que calunia em nada deixar
Que pesadelo me faltar em mim
E quando morrer nao ser mais eu!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O rio da minha aldeia

Meu rio é mais belo que o rio que corre pela aldeia
é tao lindo e corrente, e largo e extraordinario
Que qualquer pessoa consente que nele nada é ordinario
Meu rio é maior que o Amazonas.
Tem mais vazante que o Serigy,
E é mais real e pujante que o Tejo.
Meu rio é muito mais belo que o que corre pela aldeia,
Porque na sua subjetividade, sua nascente é meu imaginario
Meu rio é só meu.
Quem esta ao pé dele nao esta ao pé dele,
Esta ao pé de mim.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Seu cheiro

Minha veia poetica voltou a funcionar. Acho que ela esta recuperando o sangue pobre que circulava em mim durante um tempo. Bombeia orgao inutil (mas que hoje ja acho mais util)

O seu cheiro de oleo e de flor
E sua pele morena, marrom cor
Me entrelaca num tecido invisivel
De olfato gostoso, de cheiro de mato
Te sinto tao perto de mim
Creio em voce, em nos dois, no incrivel
Eu que nao sabia nada, sei de onde vim
Tambem o porque do ir e do vir
Tudo descomplicado pelo seu cheiro bom
Do seu sorriso que me faz sorrir
Aquele sorriso triste de palido tom
Feita a cor de minha pele e minh'alma
(Onde meu tumulto eh sinonimo de falsa calma)
Guardo o instante,um xodo, feito caroco de caju
Tudo eh voce, tao longe,la na tal Aracaju.


"dim dim dim dim - esse corpo moreno cheiroso e gostoso que voce tem...dim dim don don"

salve mestre Joao Gilberto,
e deus salve a Bahia.


(perdoem o teclado gringo e a ausencia de corretor ortografico and so on)